Empresa        Serviços         Produtos       Parceiros         Clientes       Artigos        Loja

Intel: a era do Tera vem aí

Mário Nagano, PC World
23/03/2004 18:30

O ano começou faz quase quatro meses. Você possivelmente acredita que já ouviu todas as tradicionais previsões sobre quais serão as mais revolucionárias e marcantes novidades tecnológicas de 2004 – e, cá entre nós, não ficou exatamente surpreso com muita coisa. Mas é bom deixar claro que, mesmo nesse aparente marasmo, estão surgindo excelentes idéias e existem, sim, perspectivas de mudanças. E quer saber mais? Muitas delas não têm nada a ver com tecnologias sem fio, a coqueluche dos últimos tempos. E mais: podem estar determinando não apenas uma novidade que marcará o ano, mas o início de uma nova era. Pelo menos, essa foi a mensagem deixada por Pat Gelsinger, diretor de tecnologia da Intel, ao final da mais recente edição do Intel Developers Forum, que aconteceu entre os dias 17 e 19 de fevereiro na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos.

Para o executivo, que é considerado um dos gurus da Intel, os laboratórios da empresa enfrentam neste momento o desafio de atender às novas demandas da computação que são baseadas em computadores dispersos por toda a sociedade e cujas aplicações devem produzir e/ou utilizar quantidades imensas de dados. O volume dessas aplicações pode determinar uma nova era da informação, que Gelsinger chama de a era do terabyte, ou simplesmente a era do Tera. Craig Barrett, chairman da Intel, reforça o slogan ao reafirmar, durante o encontro, suas declarações mais recentes de que quase todos os aspectos da nossa vida estão se transformando em experiências digitais, seja hoje na forma de áudio MP3 e vídeo MPEG, seja no futuro com nossos dados médicos totalmente digitalizados. O próprio Gelsinger brinca com o assunto e afirma que, se quisesse registrar todos os discursos que já fez na vida, seriam necessários aproximadamente três exabytes de memória. Na prática,isso significa pouco mais do que cinco vezes o volume atual da própria internet, que acumula mais de 532 terabytes de dados.

Todo o discurso sobre a caminhada atual para uma sociedade cada vez mais digital pavimenta as iniciativas da Intel de gerar novos meios eficientes de pesquisar e analisar tamanha quantidade de dados. Para Gelsinger, tais iniciativas podem ser resumidas em três palavras-chaves: reconhecer, recuperar e sintetizar informações. Entenda-se por reconhecer a capacidade do sistema de identificar padrões de dados e modelos que atendam à necessidade de uma aplicação ou de um usuário, de modo que ele seja capaz de recuperar o que é relevante dentro de toda a massa de dados disponível no mundo real. Os últimos passos são analisar e sintetizar os resultados para chegar, finalmente, à resposta desejada.

Para atender a essa demanda serão necessários micros com mais memória, capacidade de processamento e, finalmente, maior capacidade de tráfego e de armazenamento. Isso pode levar a uma mudança na maneira atual de os computadores processarem dados e se comunicarem.

Entre essas transformações, talvez a mais relevante seja a mudança do paradigma de que MHz é sinônimo de desempenho. O uso de circuitos cada vez menores, seguindo a Lei de Moore, permitiu o desenvolvimento de chips mais velozes que dispersam mais calor, o que pode levar a sérios problemas caso não existam mudanças no atual processo de fabricação.

Uma das soluções encontradas foi a descoberta de um novo material dielétrico, cuja fórmula está sendo mantida em segredo, que minimiza a fuga de corrente na porta do transistor do processador. Outra abordagem é o uso denovas arquiteturas baseadas em mais de um núcleo dentro do mesmo processador.

A vantagem dessa solução, se comparada com os sistemas multiprocessados, é que a proximidade dos dois núcleos permite uma troca mais veloz de informações. Essa mudança melhora significativamente a execução de tarefas concorrentes, a exemplo do que ocorre hoje com a tecnologia HyperTreading, em que o ganho de desempenho não está necessariamente no aumento de velocidade, e sim na capacidade de executar mais tarefas ao mesmo tempo.

Outra solução que está sendo pesquisada é o que está sendo chamado de "helper-threading", tecnologia que ataca um dos problemas que mais atormentam a computação de alto desempenho: o tempo que o processador espera por uma resposta da memória, fenômeno também conhecido como latência. O que a Intel fez para solucionar essa questão foi criar um mecanismo capaz de alertar, com certa antecedência, o cache L2 do chip que ele irá precisar de um certo bit de informação, de modo que esteja disponível na hora da execução. Essa tecnologia minimiza, mas não resolve o problema de latência. Numa demonstração com duas aplicações baseadas num grande banco de dados, aquela com o helper-treading ativado foi 10% mais veloz.

Inovações desse tipo, somadas ao ganho de desempenho gerado por freqüências mais elevadas, determinarão, de certo modo, a velocidade das próximas gerações de computadores. Para sintetizar sua visão, Gelsinger citou Alan Kay, um dos pioneiros da computação pessoal, que disse que a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo. E é isso que a Intel tenta fazer a todo momento.